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Após revés nas urnas, Thiago Lyra lança funk carioca irreverente e desafia limites

Com apenas 160 votos e a última colocação entre os candidatos do NOVO a deputado federal no Rio de Janeiro, o artista transforma inconformismo, liberdade e perseverança em música.

Após revés nas urnas, Thiago Lyra lança funk carioca irreverente e desafia limites
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Thiago Lyra

15/10/2026 às 11:26

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RIO DE JANEIRO — 14 de outubro de 2026. Dez dias depois de enfrentar um resultado eleitoral muito distante de suas expectativas, o jornalista, filósofo, escritor e músico Thiago Lyra apresenta ao público seu novo single, “O Verso Que Te Falta”. A composição mistura a irreverência do funk carioca, elementos percussivos afro-brasileiros e uma produção de caráter cinematográfico com versos autobiográficos, provocações políticas e reflexões sobre liberdade, criatividade e realização pessoal.

A música chega em um momento particularmente significativo da trajetória do artista. Candidato a deputado federal pelo NOVO nas eleições de 4 de outubro, Lyra recebeu apenas 160 votos em todo o estado do Rio de Janeiro, terminando na última posição entre os 47 candidatos de seu partido.

O resultado representa um duro contraste com as ambições de um homem que, ao longo da vida, se dedicou simultaneamente à música, à filosofia, à literatura, ao jornalismo, ao empreendedorismo e à política.

Mas a derrota, segundo o próprio Lyra, teve um efeito diferente do que se poderia esperar: em vez de abatê-lo, aumentou sua motivação para enfrentar novos desafios.

E, para quem imagina que o resultado poderia representar o encerramento de suas pretensões políticas, o artista esclarece que pretende continuar disputando eleições enquanto estiver vivo.

É justamente essa recusa em aceitar os próprios limites como definitivos que parece atravessar cada verso de seu novo lançamento.

Um funk carioca que não pede licença

“O Verso Que Te Falta” é um funk carioca de estética cinematográfica, construído sobre uma base rítmica sincopada, percussão seca e marcada, tambores de inspiração ancestral africana e afro-brasileira, instrumentos acústicos e violão.

A interpretação alterna versos declamados com um refrão de grande intensidade, em uma construção musical que combina o ritmo urbano carioca com uma atmosfera quase ritualística.

A produção é assinada pela Rádio Livre, produtora de Thiago Lyra, que realizou pessoalmente a gravação e a produção musical em sua própria casa.

A independência do processo criativo reflete o tema central da composição: a disposição de não depender da aprovação dos outros para transformar ideias em realizações.

No refrão, o artista rejeita a ideia de que uma pessoa precise escolher uma única vocação:

“Focar é o caralho / Isso é coisa de lei / Eu vou abraçar o mundo / E nele eu serei rei.”

A linguagem direta, por vezes deliberadamente vulgar, contrasta com as referências filosóficas e religiosas presentes na letra.

Gênio, louco ou simplesmente incompreendido?

A música começa com uma afirmação provocadora, apresentada em tom de discurso:

“É natural que um gênio sendo minoria / Seja considerado louco por uma burra maioria.”

A frase estabelece o conflito que conduz a narrativa: a distância entre a imagem que o indivíduo tem de si mesmo e o reconhecimento que encontra na sociedade.

Nascido em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Lyra desenvolveu uma trajetória incomum. Iniciou sua relação com a música ainda na infância, começou a compor aos 12 anos e aprendeu violão de forma autodidata aos 14.

Estudou filosofia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e ciências econômicas na Universidade Federal Fluminense (UFF), além de seguir sua formação como pesquisador autodidata, dedicando-se especialmente às humanidades e ao comportamento humano.

Em 2010, mudou-se para o Chile, onde viveu por aproximadamente uma década e desenvolveu parte importante de sua carreira artística.

Segundo seu press kit, começou a trajetória musical em Santiago tocando nos ônibus da capital chilena, até conquistar espaço em rádios, eventos e circuitos culturais locais.

A experiência internacional resultou em gravações, álbuns, videoclipes e colaborações artísticas.

De volta ao Brasil, Lyra ampliou sua atuação intelectual e empreendedora, mantendo a música como parte permanente de sua vida. Em 2025, publicou “A Teoria Geral da Humanidade”, obra na qual apresenta sua própria interpretação filosófica da existência humana, do comportamento individual e coletivo e da soberania individual.

Na nova música, ele resume essa multiplicidade em quatro versos:

“Eu escrevo livros / No país que ninguém lê / Eu trabalho semeando / Para amanhã colher.”

A letra também aborda a relação entre trabalho, julgamento público e reconhecimento, reivindicando que uma pessoa seja avaliada por suas realizações, e não apenas pela impressão que desperta nos demais.

Das urnas ao estúdio: a derrota não encerra a história

A eleição de 2026 acrescentou um novo capítulo à trajetória de Lyra.

Filiado ao NOVO desde abril, o artista disputou uma vaga na Câmara dos Deputados com o número 3088 e apresentou um programa legislativo de 41 medidas, organizado em torno das propostas de desfinanciar, desmonopolizar e desprivilegiar estruturas estatais.

Sua campanha também foi marcada pelo enfrentamento ideológico, com críticas à esquerda e a diferentes aspectos da organização política brasileira.

A votação, entretanto, ficou muito abaixo do necessário para conquistar uma cadeira em Brasília.

Com 160 votos, Lyra terminou em último lugar entre os candidatos do NOVO à Câmara Federal pelo Rio de Janeiro. O resultado foi particularmente modesto para alguém que pretendia transformar sua produção intelectual e comunicacional em representatividade política.

O próprio artista reconhece o desempenho como péssimo, mas afirma que a experiência o deixou ainda mais motivado para os desafios seguintes.

Lyra não trata a derrota como uma despedida da política. Ao contrário, manifesta a intenção de continuar participando de disputas eleitorais pelo restante de sua vida.

A música não é apresentada como um relato específico da campanha eleitoral. Ainda assim, os acontecimentos recentes oferecem uma nova camada de significado a versos sobre críticas, resistência e transformação:

“Ninguém atira pedra / Em árvore que não dá fruto / Com as suas pedras / Eu construo o meu mundo.”

Em seguida, a composição recorre à metamorfose da lagarta como imagem da transformação de algo aparentemente limitado em algo capaz de voar.

É uma metáfora que ganha outra dimensão diante de um artista que, mesmo depois de sucessivas experiências eleitorais sem vitória, continua anunciando novos projetos e mantendo suas ambições políticas.

O funk, a direita e a liberdade de expressão

A provocação política aparece de maneira ainda mais explícita na ponte da música.

“O hip-hop é da esquerda? / Não é não meu mano / O hip-hop é a liberdade / Que lhe falta ao cubano.”

A passagem questiona a associação entre manifestações da cultura urbana e determinadas posições políticas.

Embora musicalmente a composição esteja situada no funk carioca, Lyra utiliza o hip-hop como referência para defender sua concepção de liberdade artística e criticar governos e sistemas políticos que considera autoritários.

Cuba, Venezuela, Coreia do Norte, China e Rússia são mencionados na letra, que também apresenta uma provocação à esquerda brasileira por meio de uma referência ao Bolsa Família.

O resultado é uma canção politicamente posicionada, que não procura esconder as convicções de seu autor nem evitar controvérsias.

É também uma expressão da trajetória ideológica de Lyra, que passou pelo PSB no início da vida pública, rompeu com a esquerda e, anos depois, passou a se identificar com ideias libertárias.

A filosofia de quem quer abraçar o mundo

Por trás do humor agressivo e das provocações, a música contém uma ideia recorrente na produção intelectual de Thiago Lyra: o ser humano não deveria reduzir sua existência a uma única identidade ou atividade.

Na visão desenvolvida pelo autor em “A Teoria Geral da Humanidade”, as diferentes dimensões da existência podem ser cultivadas e articuladas para ampliar as possibilidades de realização individual.

É nesse contexto que o refrão formula a pergunta central:

“Se eu posso fazer tudo / Por que tudo não farei?”

A composição coloca em linguagem popular uma questão presente em sua filosofia: por que limitar o desenvolvimento de uma capacidade apenas porque outras também estão sendo exercidas?

Para Lyra, a multiplicidade não representa necessariamente falta de direção. Ela pode constituir uma forma própria de organizar a existência.

Essa visão também se expressa em seus empreendimentos, que abrangem iniciativas de comunicação, produção artística, audiovisual, tecnologia e publicação editorial.

Entre eles estão a editora Papel Livre, o GeoBullet, a Rádio Livre, a Emerick Films, o Thiago Lyra Art Studio e a marca O Observador do Fim do Mundo.

E a lista não está encerrada.

O artista trabalha em novos empreendimentos, alguns ainda pouco conhecidos do público. A própria capa de “O Verso Que Te Falta” esconde uma pista sobre um desses projetos: basta observar com atenção o aplicativo exibido na tela do celular que o personagem segura.

O detalhe não é acidental. Assim como os demais elementos da composição visual, representa outra dimensão da atividade criativa e empreendedora do artista.

Uma carreira musical em constante transformação

“O Verso Que Te Falta” representa mais um capítulo de uma trajetória musical que Thiago Lyra mantém desde a infância, atravessando países, idiomas, gêneros e diferentes momentos de sua vida.

Mesmo quando a filosofia, a comunicação, os negócios ou a política ocuparam maior espaço em sua agenda pública, a música permaneceu entre suas atividades criativas.

Do aprendizado autodidata do violão às apresentações de rua em Santiago, dos palcos chilenos às gravações realizadas no Brasil, sua produção musical acompanhou as transformações pessoais e profissionais do artista.

Em 2024, lançou o reggae “Vuelve a Mi Vida”, durante uma breve turnê pelo Chile. Em 2026, apresentou a balada pop “Tudo Aquilo Que Você Quer”, uma produção desenvolvida no Brasil e direcionada ao público brasileiro.

Agora, com “O Verso Que Te Falta”, Lyra explora uma linguagem mais urbana, percussiva e confrontacional, sem abandonar as referências filosóficas que caracterizam sua produção.

A identidade visual do single acompanha essa proposta. Na capa, o artista aparece cercado de elementos aparentemente incompatíveis: uma faixa verde e amarela, um colete de imprensa, símbolos de sua produção intelectual, um microfone, um telefone celular, mãos transformadas em galhos e asas de borboleta.

O excesso deliberado de referências funciona como representação visual de sua multiplicidade, reunindo diferentes aspectos de sua identidade em uma única imagem.

O público já pode conferir a música no YouTube por meio de um lyric video, no qual a letra acompanha a execução da canção.

Um videoclipe oficial também está previsto, com realização da Emerick Films, produtora audiovisual responsável pelo videoclipe de seu lançamento anterior, “Tudo Aquilo Que Você Quer”.

Além disso, o novo single deverá chegar em breve às plataformas de streaming musical.

E os próximos lançamentos já estão no horizonte. Entre os projetos musicais em desenvolvimento está “Lalaiá Song”, outra produção de funk carioca, concebida como uma colaboração internacional que reúne dez artistas de seis países, distribuídos por quatro continentes e três idiomas.

Mais do que representar um recomeço, o atual lançamento evidencia a continuidade de uma atividade artística que nunca deixou de fazer parte de sua existência.

O verso que falta

Entre a derrota eleitoral, a continuidade de sua produção intelectual, o desenvolvimento de novos negócios e sua permanente atividade musical, Thiago Lyra parece encontrar na canção uma maneira de reunir diferentes aspectos de sua trajetória.

O artista que não conseguiu converter suas ideias em votos continua apostando na possibilidade de convertê-las em livros, músicas, projetos e novas iniciativas.

E não desistiu de voltar às urnas.

A eleição de 2026 terminou. Suas pretensões políticas, não.

Se depender de sua disposição declarada, outras campanhas ainda farão parte de sua história, assim como novos livros, canções e empreendimentos.

Em uma composição que alterna irreverência, ambição, fé e autoconfiança, é o próprio Lyra quem oferece a resposta ao título da música:

“O verso que te falta / Já se encontra na minha mente.”


Assista ao lyric video oficial

O VERSO QUE TE FALTA — THIAGO LYRA

Gênero: Funk carioca cinematográfico
Composição e interpretação: Thiago Lyra
Produção: Rádio Livre
Gravação e produção musical: Thiago Lyra
Lyric video: Disponível no YouTube
Futuro videoclipe oficial: Emerick Films
Lançamento: Outubro de 2026
Streaming musical: Em breve

▶ ASSISTA AO LYRIC VIDEO DE “O VERSO QUE TE FALTA” NO YOUTUBE

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