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Da imprensa à estratégia: Angélica Cunha constrói uma nova abordagem para comunicação
Entre jornalismo, publicidade, Direito e comunicação institucional, Angélica Cunha construiu uma trajetória multidisciplinar que hoje sustenta uma visão de comunicação orientada por percepção.

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Em um mercado no qual a produção de conteúdo se tornou cada vez mais rápida e acessível, a capacidade de publicar deixou de ser, por si só, um diferencial competitivo. Empresas, instituições e lideranças passaram a enfrentar um desafio mais complexo: construir uma presença pública coerente, estabelecer autoridade e garantir que a exposição produza uma percepção compatível com aquilo que pretendem representar. É nesse cenário que a jornalista brasileira Angélica Cunha, aos 35 anos, vem consolidando uma trajetória voltada à comunicação estratégica, reunindo experiências em imprensa, publicidade, comunicação jurídica, relações institucionais e operações de grandes eventos.
Natural de Patrocínio, em Minas Gerais, Angélica chegou ao Rio de Janeiro aos 17 anos com o desejo de estudar Medicina. Sua trajetória acadêmica, entretanto, já havia começado de maneira pouco convencional. Aos 15 anos e meio, iniciou o curso de Mecânica e Manutenção Industrial; aos 16, ingressou em Turismo e, aos 20, concluiu a formação de tecnóloga em Patologias Clínicas. A sucessão de escolhas, que poderia ser interpretada como falta de linearidade, acabou se transformando em um dos elementos mais importantes de sua formação: a disposição para conhecer diferentes áreas e construir repertório a partir de experiências aparentemente distintas.
Aos 21 anos, iniciou a graduação em Publicidade e Propaganda, área pela qual se identificou desde o primeiro período. Antes que pudesse concluir o semestre, porém, a universidade encerrou a turma, e a alternativa encontrada foi a transferência para Jornalismo, com aproveitamento das disciplinas já cursadas. A mudança acabou definindo sua formação profissional. Angélica concluiu a graduação em Jornalismo aos 26 anos, sem abandonar o interesse pela publicidade, que posteriormente aprofundou por meio de um MBA em Publicidade e Propaganda. A combinação entre as duas áreas passou a oferecer uma perspectiva particular sobre comunicação, reunindo o olhar jornalístico para informação, apuração, contexto e narrativa com a visão publicitária de posicionamento, percepção e construção de marcas.
Sua carreira profissional foi construída paralelamente à formação acadêmica. Angélica atuou como repórter cinematográfica no São Gonçalo Informa e participou do programa Cidade Agora, com Jesuíno Batista e José Carlos Rocha, na Rádio Tupi de Rio Bonito. Posteriormente, ampliou sua atuação para a assessoria de comunicação e imprensa e encontrou na comunicação jurídica um dos principais campos de especialização. Durante aproximadamente cinco anos, trabalhou com grandes escritórios de advocacia e profissionais do setor, desenvolvendo estratégias de comunicação, gestão de crises e administração de riscos reputacionais.
A experiência com o setor jurídico também envolveu trabalhos para instituições ligadas à Ordem dos Advogados do Brasil, incluindo projetos de fotografia, audiovisual e comunicação institucional. Foi nesse ambiente que Angélica passou a lidar diretamente com uma das questões mais sensíveis da comunicação profissional: como preservar credibilidade e autoridade quando pessoas e instituições estão submetidas a exposição pública, situações de crise ou disputas de narrativa. Entre os trabalhos de maior repercussão esteve sua atuação em comunicação jurídica relacionada ao advogado responsável pela assessoria da primeira vítima de um médico anestesista de um hospital de São João de Meriti, em um caso que ganhou ampla repercussão.
O trabalho desenvolvido no segmento jurídico também trouxe reconhecimento institucional. Angélica foi homenageada pela OAB de Niterói como Personalidade da Imprensa, reconhecimento que se soma a outras experiências institucionais construídas ao longo de sua carreira. A passagem pelo universo jurídico contribuiu para consolidar uma percepção que posteriormente seria aplicada a outros setores: visibilidade, quando não acompanhada de estratégia, pode ampliar tanto oportunidades quanto riscos para uma marca ou liderança.
Essa compreensão ganhou outra dimensão quando Angélica passou a atuar em operações de maior escala. Entre os projetos está sua participação na comunicação do desfile “Do Chão à Passarela”, realizado na Rocinha pelo Instituto Niemeyer, além de um período de aproximadamente dois anos de atuação em funções ligadas à comunicação do instituto. Também integrou a operação de comunicação do Encontro Mica, realizado no Jockey Club, com dois dias de programação e aproximadamente 6 mil participantes, em uma estrutura que envolvia diferentes equipes, comunicação, audiovisual, relações públicas e tradutores.
Experiências desse porte exigem uma visão que ultrapassa a produção de conteúdo. É necessário coordenar profissionais, estabelecer prioridades, antecipar situações de risco, compreender diferentes públicos e garantir que as diversas frentes de comunicação contribuam para uma mesma percepção institucional. Foi nesse contexto que uma questão passou a ocupar espaço central em sua metodologia de trabalho: compreender não apenas aquilo que uma organização diz, mas também tudo aquilo que comunica por meio de sua cultura, de suas lideranças, de seus processos e das experiências que proporciona.
Essa visão está na origem da Arquitetura da Percepção, conceito desenvolvido por Angélica para analisar a relação entre posicionamento, comportamento, comunicação e reputação. A proposta considera que a percepção pública não é formada exclusivamente pelas campanhas ou conteúdos produzidos por uma organização. O comportamento das equipes, a experiência do cliente, a postura de uma liderança, a forma como uma crise é administrada e a coerência entre discurso e prática também participam da construção de reputação.
A mesma perspectiva orienta o Diagnóstico de Posicionamento, desenvolvido para compreender como uma marca, profissional ou organização é percebida e identificar a distância entre essa percepção e a posição que pretende ocupar. Em vez de começar pela pergunta sobre o que deve ser publicado, a metodologia parte da compreensão do contexto e do objetivo estratégico que a comunicação precisa sustentar.
Essa discussão ganha relevância em um momento de transformação tecnológica acelerada. Com a inteligência artificial ampliando a capacidade de produzir textos, imagens, vídeos e análises em escala, a produção deixou de ser o único diferencial. Para Angélica, a tecnologia aumenta a capacidade operacional das equipes, mas não elimina a necessidade de interpretar contexto, identificar riscos, compreender oportunidades e definir qual percepção uma organização deseja construir. Como resume em sua abordagem: “Não basta aparecer. É preciso compreender o que aquela exposição está construindo para a reputação.”
É a partir desse repertório que a Projeção Midiática, criada em 2022, passa a ocupar uma nova posição em sua trajetória profissional. A empresa reúne competências desenvolvidas ao longo dos anos, entre elas assessoria de imprensa, comunicação estratégica, relações públicas, produção de conteúdo, fotografia, audiovisual, cobertura de eventos e relacionamento com veículos de comunicação. O objetivo é integrar essas frentes a partir de uma lógica estratégica, evitando que diferentes serviços sejam tratados como iniciativas isoladas.
Na prática, uma demanda aparentemente relacionada à imprensa pode revelar uma questão de posicionamento; uma liderança que busca aumentar sua produção de conteúdo pode precisar, antes, compreender como construir autoridade; e um evento corporativo pode funcionar simultaneamente como instrumento de relacionamento, posicionamento institucional e geração de conteúdo. Essa leitura amplia o papel da comunicação dentro das organizações e aproxima a atividade de questões relacionadas a reputação, estratégia e negócios.
A proposta da Projeção Midiática também envolve uma cultura de valorização das pessoas responsáveis pela execução. Para Angélica, uma estrutura de comunicação capaz de atender organizações mais complexas precisa transformar conhecimento individual em processos, equipes e capacidade coletiva de entrega. A comunicação, nesse modelo, não depende exclusivamente da figura de quem lidera a empresa, mas da capacidade de diferentes profissionais trabalharem de maneira integrada.
Essa visão também está presente na Jornada Projeta, frente voltada à educação comunicacional nos setores institucional, jurídico e empresarial. A iniciativa parte da compreensão de que reputação não é construída exclusivamente pelo departamento de comunicação. Executivos, lideranças, colaboradores e representantes institucionais participam diariamente desse processo por meio de suas decisões, comportamentos e interações com diferentes públicos.
A decisão de cursar Direito segue uma lógica semelhante. Há dois anos, depois de aproximadamente cinco anos de atuação na comunicação jurídica, Angélica iniciou a graduação e atualmente está no quarto período. Em vez de buscar apenas uma nova especialização em assessoria de imprensa, área na qual já havia acumulado experiência prática, decidiu aprofundar academicamente o universo jurídico com o qual trabalha, ampliando sua capacidade de compreender os desafios específicos de profissionais e instituições desse segmento.
Aos 35 anos, diferentes momentos de sua trajetória começam a convergir. O Jornalismo trouxe a capacidade de investigar, contextualizar e construir narrativas; o MBA em Publicidade e Propaganda acrescentou conhecimento sobre marcas e posicionamento; a comunicação jurídica proporcionou experiência em ambientes nos quais credibilidade e risco reputacional possuem peso significativo; os grandes eventos ampliaram sua capacidade operacional; e a formação em Direito acrescenta uma nova camada de conhecimento a uma área que já faz parte de sua experiência profissional.
Sua produção editorial também acompanha essa trajetória. São mais de 8 mil artigos publicados, mencionados e replicados em veículos nacionais e internacionais, além de anos de experiência no relacionamento com diferentes segmentos da imprensa e na construção de estratégias de comunicação para profissionais, instituições e empresas.
O próximo movimento, entretanto, não está concentrado apenas na ampliação desse histórico. A proposta é transformar o conhecimento acumulado em método, estrutura e capacidade de atender organizações que enfrentam ambientes de comunicação cada vez mais complexos, nos quais diferentes públicos, canais, lideranças e interesses precisam ser considerados simultaneamente.
É nesse contexto que a Projeção Midiática passa a representar mais do que uma empresa de comunicação. Ela se torna a estrutura na qual diferentes experiências profissionais de Angélica começam a operar de forma integrada, conectando imprensa, posicionamento, relações públicas, produção de conteúdo, percepção e reputação.
Em um cenário no qual produzir conteúdo está cada vez mais acessível, a questão estratégica passa a ser outra: compreender o que determinada comunicação está construindo para o futuro de uma organização. É nessa fronteira entre visibilidade e reputação, conteúdo e estratégia, exposição e percepção que Angélica Cunha posiciona sua próxima fase profissional.
Instagram: @angelicacunhaofc
