Quando o crime fecha o comércio, segurança pública vira condição para o desenvolvimento econômico.
Sem segurança, não há empreendedorismo forte: a violência afasta investimentos, destrói empregos e limita o crescimento do Rio.

03/09/2026 às 18:09
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Por Carlos Cabral – advogado, empreendedor, jornalista e candidato a Deputado Estadual do Rio de Janeiro – nº 30.276
Durante muito tempo, tratamos segurança pública e desenvolvimento econômico como assuntos distintos. De um lado, polícia, combate ao crime e proteção da população. Do outro, empresas, empregos, investimentos e geração de renda. A realidade do Rio de Janeiro demonstra que essa separação não existe.
Quando o crime domina um território, o empreendedor é uma de suas primeiras vítimas.
O que estamos presenciando em Jacarepaguá é um exemplo preocupante. Dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública e repercutidos recentemente mostram que a área do 18º BPM registrou 25 mortes violentas em julho de 2026, liderando naquele mês o indicador de letalidade violenta entre as Áreas Integradas de Segurança Pública do Estado.
Mas os números não conseguem mostrar toda a dimensão do problema.
Quando comerciantes fecham mais cedo, empresas suspendem atividades, funcionários têm medo de chegar ao trabalho e consumidores deixam de frequentar determinadas regiões, a violência passa a funcionar como uma barreira ao desenvolvimento econômico.
Nos últimos dias, vimos novamente cenas extremamente graves em nossa região. Ônibus foram sequestrados e utilizados como barricadas em áreas como Muzema, Curicica, Gardênia e Taquara. Operações policiais também têm buscado combater grupos armados envolvidos na expansão territorial do crime organizado na Zona Sudoeste.
A pergunta que precisamos fazer é: como um pequeno empresário consegue prosperar nesse ambiente?
O empreendedor do Rio de Janeiro já precisa enfrentar uma enorme quantidade de dificuldades. São impostos, burocracia, custos trabalhistas, aluguel, energia, crédito caro e inúmeras obrigações para conseguir manter seu negócio funcionando.
Não podemos permitir que, além de tudo isso, exista também o “custo da insegurança”.
Esse custo aparece quando o comerciante precisa fechar mais cedo. Quando instala câmeras, grades e sistemas adicionais de segurança. Quando perde mercadoria em roubos de carga. Quando um funcionário não consegue chegar ao trabalho por causa de confrontos. Quando o consumidor deixa de frequentar determinada região. E, de forma ainda mais grave, quando criminosos tentam substituir o próprio Estado, impondo extorsões e controlando atividades econômicas.
Não existe verdadeira liberdade econômica onde o criminoso decide quem abre, quem fecha, quem circula e quem paga para trabalhar.
Outro exemplo atual mostra a dimensão econômica da criminalidade. O furto de cabos de iluminação e sinalização já provocou mais de R$ 69 milhões de prejuízo aos cofres municipais nos últimos cinco anos. Somente entre janeiro e julho deste ano, 455 sinais de trânsito foram afetados por furtos. Dinheiro público que poderia ser destinado a outras necessidades acaba sendo utilizado para reparar aquilo que o crime destruiu.
Por isso, precisamos mudar também a maneira de combater o crime organizado.
Não basta prender quem está na ponta. É necessário utilizar inteligência, tecnologia e integração entre as forças de segurança para atingir principalmente a estrutura econômica das organizações criminosas: identificar fluxos financeiros, combater receptadores, interromper fontes de financiamento, enfrentar esquemas de extorsão e impedir que organizações criminosas explorem ilegalmente atividades econômicas.
É preciso asfixiar financeiramente o crime organizado.
Ao mesmo tempo, precisamos devolver ao empreendedor a confiança para investir no Rio de Janeiro.
Segurança pública não significa apenas colocar mais policiais nas ruas. Significa garantir que uma padaria possa abrir às cinco da manhã; que um restaurante possa funcionar à noite; que uma loja possa permanecer aberta sem medo; que um trabalhador possa voltar para casa e que um empresário possa investir suas economias sem receio de perder tudo para a violência.
Defendo um Estado que seja forte contra o criminoso e menos pesado sobre quem trabalha e produz.
Precisamos de mais segurança pública, mais segurança jurídica, menos burocracia e melhores condições para o empreendedor gerar emprego e renda.
Como advogado, empreendedor e cria de Jacarepaguá, conheço de perto a importância econômica dessa região e acredito profundamente no seu potencial. Não podemos aceitar que bairros como Taquara, Curicica, Gardênia, Freguesia e tantas outras localidades tenham seu desenvolvimento limitado pela expansão territorial do crime.
Essa é uma das razões pelas quais coloquei meu nome à disposição da população do Estado do Rio de Janeiro como candidato a Deputado Estadual.
Quero levar para a ALERJ uma discussão que considero fundamental: combater a criminalidade também é defender o empreendedorismo.
Porque onde existe segurança, existe investimento. Onde existe investimento, surgem empresas. Onde existem empresas, surgem empregos. E onde existem empregos e oportunidades, o Rio de Janeiro encontra um caminho muito mais sólido para prosperar.
Carlos Cabral
Candidato a Deputado Estadual – nº 30.276
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